Claudia Rodrigues planeja volta à cena: ‘Vou provar que estou bem

Atriz, diagnosticada com esclerose múltipla em 2000, quer voltar a trabalhar em outubro, com o lançamento de seu canal no YouTube e a estreia de uma peça

Por Meire Kusumoto

Afastada da televisão e dos palcos desde 2013 para tratar a esclerose múltipla, doença com que foi diagnosticada em 2000, Claudia Rodrigues garante que está preparada para voltar à ativa. A atriz, conhecida por personagens icônicas do humor como a Sirene da série Sai de Baixo e a Ofélia do Zorra Total, ambos da Globo, pretende voltar a trabalhar em outubro deste ano. Suas primeiras empreitadas serão, conta, o lançamento de seu canal no YouTube, com quadros de humor encabeçados por suas personagens, e a peça E Aí, Claudinha?, que ela fará ao lado da única filha, Iza Rodrigues, de 15 anos, com ensaios abertos até dezembro pelo Brasil e planos de levá-la também para os Estados Unidos em janeiro.  

Para tratamento da esclerose múltipla, doença degenerativa que atinge o sistema nervoso e não tem cura, Claudia passou por um transplante de células-tronco em dezembro de 2015. O procedimento, doloroso, segundo a comediante, teve efeitos positivos, ajudando a reduzir as sequelas da doença. Para ajudar na sua reabilitação, Claudia está internada desde janeiro no Centro Médico de Vida Saudável (Cevisa), em Engenheiro Coelho, no interior de São Paulo, com uma rotina intensa, repleta de atividades das 6 às 22 horas, como fisioterapia e pilates, além de uma dieta restrita, sem carnes, leites e seus derivados e açúcar. Ainda neste mês, a humorista pretende deixar o Cevisa para fazer o tratamento de modo externo – ela irá todos os dias para o centro, mas dormirá em casa.

Claudia espera ter alta completa depois de seis meses e, otimista, faz planos para o retorno aos palcos. “Vou voltar a atuar tão bem quanto eu fazia e até melhor. Não é que eu queira mais fama, não é nada disso, eu quero provar que estou bem”, diz a VEJA. A atriz, que já chegou a renegar a esclerose, afirma que se sente curada – ao menos, emocionalmente. “Já me senti curada várias vezes, algo que as pessoas não entendem, acham que isso significa que eu subo e desço escadas. Não é nada disso. É uma cura emocional.”

Confira a entrevista:

 

Como você está se sentindo nos últimos tempos? Estou muito bem. Estou melhor a cada dia que passa. Aqui tem uma rotina muito forte, das 6 às 22 horas. A cada hora, uma atividade diferente. Hoje já andei na piscina, fiz hidroginástica, fiz hidroterapia, banho de sol, almocei, fui malhar, fiz watsu (uma espécie de shiatsu na água), depois tomei banho e estou atendendo a você.

O próximo passo do tratamento é sair da clínica. Como será? A partir de outubro, por seis meses, devo morar perto e passar o dia na clínica, o que é ótimo. Se você ficar uma semana aqui, vai achar maravilhoso. Mas estou aqui há seis meses, é cansativo.

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Se sentiu sozinha em algum momento desde que foi internada? Não. Quando fiz o transplante de células-tronco, eu rezei a Deus, disse: “Olha, Senhor, eu vou dar a minha vida em suas mãos”. Eu penso Nele o tempo todo, tenho a Adriane Bonato, minha empresária de primeira, tenho a Iza, que é uma filha também de primeira. Não tem como eu me sentir sozinha. Estou com Deus, com a minha empresária e com a Iza.

Quais foram os dias mais difíceis desde a descoberta da esclerose? Foram os do transplante de células-tronco. Eu fiz A Diarista inteira com esclerose múltipla, fiz Sai de Baixo, fiz peças, um monte de coisa, o transplante foi o mais pesado. O médico tira as células do sangue e depois elas retornam para mim, como se fosse uma transfusão. Nesse retorno, dói muito. Essa coisa da célula-tronco entrar no osso. Pelo menos, eu agora me sinto mais disposta, efeito do transplante. Antes, eu acordava e já me sentia cansada.

Você está nessa luta desde 2000. Pensou alguma vez em desistir do tratamento? Pensei, vez ou outra. Mas graças a Deus eu tenho a minha filha e a Adriane. Se eu falo que estou chateada, a Adriane fala: “Como é que é?”. E eu logo respondo: “Não, estou ótima, não tenho nada”.

De onde tirou forças para continuar? Há pessoas muito piores do que eu. Você pode ver no Cidade Alerta – as pessoas acham que eu sou louca, falam que eu gosto de ver coisa horrível e tal, mas não é isso, eu gosto de acompanhar, ué, o mundo está assim, o Brasil está assim. Você vê uma pessoa apanhando, outra batendo em criança.

Você recuperou a boa memória e voltou a decorar textos. Como se sente? Não voltou 100%, mas algo como 99,5%. Voltou bem, estou decorando textos. Fiquei muito feliz, porque a vida toda tive facilidade, decorava o texto dos outros.

Sente falta de trabalhar? Sinto muita saudade do trabalho. Eu gosto de trabalhar. Se você falar para mim, “Você tem que ficar aí não sei quantas horas”, e for por trabalho, eu fico lá. Tenho paixão pelo meu trabalho. Eu saía de casa às 9 horas, o estúdio começava às 11 horas, às vezes meio-dia. E eu voltava para casa só às 21 horas. Mas não sinto falta de um personagem em especial, personagem é como filho, tenho uma paixão pela Ofélia, pela Marinete, pela Sirene, pela qual eu ganhei o Prêmio Multishow.

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Já houve uma época em que você não aceitou a doença, é isso mesmo? É verdade. Depois, transformei em piada: “Múltipla são muitas, são quantas, doutor?”. Outra piada que eu fazia era que esclerose múltipla é coisa de rico, porque pobre tem esclerose única (risos). Eu queria saber se eu poderia ser mãe. Era isso o que mais me preocupava, porque eu desejava muito. Em 2012, veio essa pessoa (aponta para Iza).

Hoje, como você vê a esclerose? Vejo que sou vitoriosa. A doença, realmente, não tem cura, mas já me senti curada várias vezes, algo que as pessoas não entendem, acham que isso significa que eu subo e desço escadas. Não é nada disso. É uma cura emocional. Estou curada nesse sentido.

Como enxerga o seu futuro? Penso que vou voltar aos palcos, a atuar tão bem quanto eu fazia e até melhor. Deus fala que, quando se tira um reino, quando ele volta vai ter o dobro do reino. Não é que eu queira mais fama, não é nada disso, eu quero provar que estou bem.

No ano passado, você anunciou que ia lançar um programa no YouTube. Ainda tem esse plano? Vou lançar um programa com meus quadros. Vou fazer a Thalia, a Sirene. Criei a Camélia que é irmã da Ofélia, é tão burra quanto. A Ofélia não posso usar porque é da Globo.

Você costuma ver TV? O que acha da programação? Vejo novela das nove, Sônia Abrão, TV FamaBalanço GeralVídeo Show, futebol. Acho que é boa a programação. Gosto da novela das onze, Os Dias Eram Assim. São coisas que estão renovando a programação da TV. Mas acho que tem que ter mais humor. Na TV Globo, em todas as emissoras. Tem que ter programas novos e com qualidade.

Tem algum humorista novo que você acompanhe? Gosto do Whindersson Nunes. Do Marcelo Adnet eu gosto, do Fabio Porchat eu gosto. A Tatá Werneck, adoro, uma comediante de ponta, acho genial. Sei que ela gosta de mim e por isso eu vou falar bem dela, mentira (risos). Estou falando porque ela é muito boa. A Dani Calabresa também é muito boa.

Você vê A Diarista no Viva? Vejo quando dá. É até bom ver, ver que eu já fui assim, e agora estou nessa limitação.

Você recebe por essas reprises? Recebo por direitos de imagem.

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Você faz terapia aqui na clínica, certo? Como têm sido as sessões? Faço duas vezes por semana. Me ajudam. Eu também tenho uma psicóloga no Rio de Janeiro, a Lívia, desde 2013. Eu ligo para ela toda segunda-feira e falo, falo, falo.

Durante a manhã vocês também fazem uma leitura bíblica. Você é religiosa? Eu sou católica. O Cevisa é do Grupo Adventista, então é bacana porque eles falam muito de Deus. Você se sente bem por isso. Não quer dizer que eu vou deixar de ser católica para ser adventista. Eu sou católica mesmo e gosto muito de ouvir das histórias de Jesus.

Sempre foi católica praticante? Sim. Na verdade, eu era menos praticante. Mas depois que eu comecei a andar com essa pessoa (aponta para Adriane), ela falava: “Não, você tem que ir”.

Há outros parentes que também vêm te visitar? Não, tenho amigos que vieram, Marcelo Médici, que é o padrinho da Iza, o David Pinheiro, o Sergio Loroza.

Você tem contato com a sua mãe? Eu falo às vezes com ela, mas não é uma coisa que seja 100%, o tempo todo.

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